Abaixo ao Estado Liberal!

Se existe uma constante do pensamento marxista que não deve ser desconsiderada, é a crítica ao Estado liberal no contexto da alienação social. Isto se verifica mediante uma breve análise dos recentes acontecimentos políticos do Brasil no que se refere ao processo ainda em curso de libertação mental de um povo até então encarcerado pelo monopólio midiático, pela homogeneização do discurso político e pelo aparelhamento das universidades por parte da esquerda nacional. 

É auto-evidente que uma ordem social cujo devir histórico é determinado pela vontade da maioria em um processo intitulado “democracia”, precisa considerar aquela parcela demográfica cuja vontade expressa no voto não condiz com a real autodeterminação do agente votante, mas com induções alienantes do ambiente externo, do meio, da ideologia, da caricatura social promovida pela mídia, pelas universidades, pelas ideias e lugares comuns vigentes no consciente coletivo, etc. A conclusão de quem quer que se proponha a analisar o sistema eleitoral de um país como o Brasil, é invariavelmente a mesma: o sistema democrático de rodízio de poder consiste em um jogo de cartas marcadas onde o poder já está previamente dividido entre aqueles que detém o monopólio do Estamento Burocrático com raras lacunas a serem completadas por um povo altamente manipulável sem qualquer consistência intelectual no que se refere à política prática. Nesse contexto, o caráter democrático de uma eleição se expressa tão somente no exercício cidadão do voto, desconsiderando as motivações do mesmo.Não é de se espantar que a esquerda nacional, uma vez empossada da mídia “main stream”, tenha abandonado a alienação de sua narrativa totalizante da sociedade. Uma vez que o Estado brasileiro se encontrava sob a égide do Partido dos Trabalhadores, as análises de conjuntura emitidas pelas universidades e reproduzidas pela mídia, eram unânimes em glorificar o valor democrático do voto do brasileiro médio. Mas bastou que se organizasse uma massa crítica de proporções nacionais com peso político suficiente para eleger democraticamente Jair Bolsonaro como presidente, que a narrativa, outrora confiante na vontade popular, volta a pôr em descrédito a decisão democrática. O que se omite, é a crença geral de que a democracia só é válida quando pende para a esquerda. Contudo, mediante uma análise prática da real objetividade dos fatos, conclui-se que o voto popular entra em consonância com os valores do povo tão somente em um cenário em que este pode ser legitimamente representado por verdadeiros líderes dispostos a romper com as estruturas de poder vigentes nas democracias liberais cuja finalidade é manter o povo refém de um sistema onde o horizonte de possibilidades é restrito por um sistema de pesos e contrapesos em que a decisão da maioria é submetida a pragmatismos e negociações.

Diante desta conjuntura, faz-se mister a apologética pública de um discurso que busque romper com as estruturas do Estado liberal burguês e dar espaço a uma política onde o Estado seja “o braço do povo” mediante um sistema centralizado que sintetize os valores da nação a qual visa representar. O desmonte da alienação é inevitável diante de um contexto de unificação social de um povo sobre os mesmos valores e tradições.

Publicado por Eduardo Salvatti

Católico apostólico romano, revolucionário com engajamento social, desprendido de pragmatismos.

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