Escravos da Felicidade

Apartar-se das ilusões acerca da felicidade neste mundo, é um dever moral que incumbe sobre qualquer indivíduo que, por questões religiosas, se proponha a viver à luz da eternidade. Infelizmente, a capitalização da alegria pelas redes sociais, a busca por sentido na felicidade dos sentimentos, tem contribuído muito para a omissão dessa verdade incon-veniente às gerações que hoje passam pela terra. 

A felicidade se tornou um ideal de vida, o objetivo último de qualquer circunstância em que um indivíduo se proponha a adentrar, e para isto transgride-se a busca pela virtude, pela verdade, pela plenitude de espírito. Pode-se afirmar, com certa dramaticidade, que essa geração é escrava da felicidade. 

No pós-modernismo, mais do que o contentamento, a felicidade é aquela que dá sentido à existência – e não somente a felicidade, mas mais especificamente a capitalização da mesma, não mais basta estar feliz, há que se mostrar feliz para seus semelhantes. Felicidade é sinônimo de sucesso pessoal, espiritual e, não obstante, indissociável do sucesso material. Trata-se de um fenômeno já intitulado pelo filósofo Luiz Felipe Pondé, como “marketing existencial”. 

A busca por uma vida desfrutada à luz da eternidade, pelo contrário, demanda a constância de um exercício de desprendimento desse mundo imanente, a compreensão de que nesse vale de lágrimas, “neste mundo, tereis aflições”, como bem ensinou-nos Cristo, perfeito Deus e perfeito homem. Ousemos bradar nessa sociedade de aparências, que a alegria, enquanto um sentimento, não tem fim em si mesma, que mais vale o contentamento de saber estar fazendo o que é correto, do que uma felicidade supérflua e desgarrada de virtude que se desfaz no vento. Nem por isso, porém, não há espaço para a felicidade nas nossas vidas, pelo contrário, a felicidade é inevitável na vida daqueles que, como dizia São Francisco de Assis, sabem que vivem sob o olhar de Alguém que nos ama. 

Publicado por Eduardo Salvatti

Católico apostólico romano, revolucionário com engajamento social, desprendido de pragmatismos.

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