O Exercício da Verdadeira Fé Frente o Pós-Modernismo

A grande constante secular da modernidade consiste em subverter o exercício da Verdadeira Fé, restringindo o comportamento religioso e o empreendimento da espirituali-dade a uma dúzia de pessoas, de forma a extirpar da vida pública qualquer referência à Igreja, à Cristo e às bases cristãs fundadoras do Ocidente mediante o escárnio e o descrédito público do indivíduo religioso. Essa espécie de engenharia social orgânica, está em curso hoje de forma muito mais veemente do que a mídia é capaz de reportar. As manifestações de autoridades contra a exposição de crucifixos em repartições públicas, o desprezo pelo sagrado consagrado no senso comum mediante a exibição de telenovelas de roteiros ideologicamente comprometidos, a consolidação do esteriótipo do religioso enquanto um indivíduo desgarrado de razão, a imagem do pastor ladrão, do padre abusador, já entranhadas no consciente coletivo e nas máximas da “intelectualidade” nacional, não deixam dúvida de que só restam duas alternativas ao religioso moderno: a negação pública da própria fé – síntese da conciliação com o mundo moderno e com o secularismo – ou a adoção passiva do comportamento de seita, em que o cristão deixa de ser um membro participante da sociedade e se torna um pária social, o chorume daqueles restringidos ao ostracismo da sociedade pós-moderna.

As tribulações, contudo, são parte inegociável da escolha pela verdade da fé. Na época em que o cristianismo era frontal-mente perseguido no Império Romano, os cristãos não pestanejavam em ser jogados ao martírio nas arenas, ao batismo de sangue nas garras dos leões, em detrimento de negar a Cristo. Tampouco devemos nós negligenciar as práticas de fé diante do martírio do escárnio e do boicote social.

Os cristãos são “sal da terra e luz do mundo” e como o sal, temos o gosto e a leveza necessários para nos fazermos presentas em todos os pratos. É tão somente mediante a passividade e a temperança e, quando necessário, mediante a imposição da mais severa e ortodoxa dogmática, que a ocupação de espaços e posterior conversão das coletividades, podem vir a brotar no seio da modernidade e, como no Império Romano, os cristãos haverão novamente de se libertar de seus grilhões, de por abaixo as arenas e erguer imponentes catedrais. É no exercício das ocupações cotidianas que se evangeliza, tão mais pelo exemplo do que pelas palavras, “Pregue o Evangelho e, se necessário, use palavras”, dizia Santo Antônio de Lisboa.

Publicado por Eduardo Salvatti

Católico apostólico romano, revolucionário com engajamento social, desprendido de pragmatismos.

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